01/04/2009

As crianças não mentem ? (*)


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“As crianças não mentem” é uma frase comum, bastante ouvida mas que não corresponde à verdade. O facto é que as crianças mentem.
Mentem quando inventam histórias em que muitas vezes a realidade se confunde com a fantasia ou para se livrarem de culpa.

Ao que parece, segundo estudos, quanto mais cedo a criança começa a mentir maior é a sua capacidade intelectual. Embora nos primeiros anos de vida não distingam a fantasia da realidade. Quando entendem a possibilidade de enganar os outros em seu proveito não hesitam de modo a evitar castigos, repreensões ou até mesmo recompensas.

A mediação da mentira não é fácil da parte dos pais que geralmente se preocupam por competência na demonstração da importância da verdade da honra e confiança em confronto com as mentiras dos filhos.

A construção da conduta tem a sua sustentação na família, na escola e na sociedade, sendo a primeira o ponto de partida.

No entanto a mentira não pode ser olhada exclusivamente como um acto errado. É também uma forma que a criança encontra como protecção para esconder o seu mundo interior. Na verdade a criança de tenra idade não mente, diz falsidades de forma a ter maior aceitação principalmente no seio da família. A mediação destas não verdades são por vezes incompreensíveis para a criança bem como a percepção da chamada conveniência social. Como exemplo disso, uma criança que é motivada a não mentir mas ainda não detentora da necessidade diferenciada de ter comportamento social adequado ás diversas situações pode em dado momento ser considerada inconveniente quando uma visita entra na sua casa e ela lhe diz “tu és feio”. Podendo ser verdade a noção de comportamento adequado não existe e por isso a criança é repreendida, podendo ficar confusa sobre a verdade e a mentira.

A diferenciação da verdade/mentira evolui ao longo do desenvolvimento.
Por volta dos seis anos começa a distinguir o verdadeiro e o falso, mas a mentira ainda não é encarada como tal. Aos oito anos, a mentira passa a ser intencional. Quando as crianças e adolescentes compreendem que as mentiras podem ter aceitação em determinadas situações não dizendo a verdadeira razão, receia, por vezes, apenas, ser alvo de troça por parte de quem o rodeia ou no sentido de protegerem a sua privacidade de modo a sentirem-se independentes.

A continuidade da mentira mesmo de forma responsável e acreditando que essa é a melhor forma de agradar aos educadores, pais/professores/amigos, não sendo propriamente maldosa, contudo, podem cair em vicio. Situações como estas podem ocorrer na sequência de problemas sérios como sejam a droga, o álcool, etc.

Sendo os pais o paradigma de maior importância para a educação dos filhos, torna-se urgente descobrir atempadamente as mentiras, provocando reflexão entre a fantasia e a realidade, a mentira e a verdade, desvantagens e consequências, deixando margem à criança para que se possa exprimir de modo confiante e se sinta compreendida. Os “sermões” e “castigos” de grande dimensão podem provocar tristeza e baixa de auto-estima.

A persistência deste comportamento poderá ser alvo de avaliação psicológica de modo a que tanto a criança como os pais possam entender esse comportamento e fornecer orientações futuras.

Resultados de pesquisa sobre a mentira indicam que a frequência diária é em média 200 vezes, cerca de 2 a cada 5 minutos. Situações simples como elogios a outrem do tipo “hoje está com bom aspecto” ou “não posso ir trabalhar…estou doente” ou até o simples sorriso inocente para colaborar com determinado momento social.

A mentira é em ultima analise, a rejeição da verdade. Esta é uma verdade histórica da humanidade que podemos culpar como causadora de sofrimento, guerras, crises e calúnia.


Bibliografia/pesquisada:
http://www.psicologia.org.br/internacional/ap30.htm
Textos de apoio da Universidade Aberta

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